Eu tive medo, foi a minha primeira reação contemplada com uma espécie de conforto e confiança. Eu tinha certeza de que era impossível minha mãe estar correta, fiz de tudo, sempre, para evitar que isso acontecesse algum dia.
Mas daí que depois de um teste de farmácia ridículo, fiquei tranquila. Negativo.
O bom é que vocês não conhecem minha mãe, se existe uma pessoa persistente, perfeccionista, insistente é ela.
Fomos num laboratório. Aliás, eu estava tão cega de certeza que os dois meses sem menstruação era por causa da pílula do dia seguinte que eu tinha tomado. Tirei sangue, fiquei esperando lá fora com a perna bamba, afinal, a certeza era plena, até eu entrar naquele lugar frio que enfiam uma agulha na sua veia.
Demorou. Vinte minutos pareciam vinte anos, e acredite, muita gente daria o braço pra que isso acontecesse somente daqui vinte anos.
Quando peguei o exame não quis abrir ali, tive que sair do consultório. Não iria conseguir ter alguma reação com aquelas meninas de branco e batom cor de rosa sorrindo quando eu menos queria isso.
Sai até a rua com a minha mãe e chorei, pensei no que eu faria a partir de agora, pensei na reação do Rogerio, pensei na reação dos meus amigos que ao invés de falsos moralistas eram falsos idealistas ou falsos imorais, pensei em como seria, pensei que as pessoas me odiariam. Chorei.
Positivo.