quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ferme la bouche

Parece que tudo o que ela faz é com ódio e violência. Fala com seu filho como se ele fosse seu criado ou seu cachorro, trata a louça, a toalha, a mesa, a casa, a vida como se fossem seu maior desgosto ou uma comida estragada.
Trata tudo como se estivesse no meio de uma briga. Violenta seus artigos pessoais e seu filho com sua boca mal lavada e seu tom de voz esgarçado, alto e nada apropriado para uma mãe, uma mulher, um ser humano.
Ninguém tem direito a nada a não ser que ela aprove, ninguém tem direito nem a dormir e a descansar caso ela não aprove, ninguém tem direito a falar, a contradizer, a se defender, a ser.
Ela é como uma ditadora do seu mundinho e por isso, a vidência do julgamento e da palavra diz que o que seu filho mais deseja é a maioridade e por conseguinte, a liberdade.

Ela grita: "Fala baixo!" e ainda tem certeza de que merece ser respeitada, ela xinga e desobedece qualquer lei ética, moral e o principal, desobedece o amor, a paz e a tranquilidade que qualquer ser humano tem o direito de possuir dentro do seu lar.
Ela louva e vai a igreja todos os domingos, ela pede pra Deus lhe dar paz e colocar juízo na cabeça de seu marido e de seu filho, ela pede e chora pra vida melhorar. Mas Deus ainda não disse pra ela, que a vida só melhora quando ela parar de reclamar.

Se raciocinar não faz mais sentido pra você, ao menos cale a boca.


Em homenagem a minha nova vizinha. Que tem a família ideal, teve a gravidez ideal, o casamento ideal, a religião ideal, a vida ideal. E ainda deve achar que ser como eu, é um absurdo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Todo o meu sorriso

Ele está aqui do meu lado - nessa noite de temperatura perfeita - completamente esparramado, deitou no sofá e abraçado com um coelhinho dormiu. Sozinho. Ultimamente ele não está mais gostando de dormir no meu colo, sempre achei meu colo pequeno mesmo, só não sabia que ele iria achar desconfortável pra tirar uma soneca, assim tão cedo.

O que mais dói, é quando alguém pergunta: Nossa, como aconteceu? Como se tivesse sido uma falha na qual as consequências são terríveis, como se tivesse sido uma bomba que eu cortei o fio errado, como se tivesse sido um muro, uma barreira, um obstáculo que eu construí no meio do meu caminho. Posso garantir aos intrometidos, voyers, juízes de mundinhos particulares e qualquer outra pessoa que um dia, ou mesmo por um segundo imaginou que tinha o direito de opinar sobre minha vida e minhas escolhas: Eu sou muito mais feliz que você, porque não há dinheiro, presente ou experiência que se compare com a de ter um filho, espero que um dia você possa ser tão feliz quanto eu, espero que um dia você possa ter um filho, porque eu tive agora, mas tinha grandes chances de nunca ter tido.

Meu marido tinha 17 anos quando teve a primeira crise dele, não corria nenhum risco de morte mas passou a correr o risco de talvez nunca poder gerar uma vida, aos 19 foi sua segunda crise mas, com melhores orientações e competência dos médicos ele soube suas reais chances de um dia - que em nossa cabeça seria após 8 anos no mínimo - poder me engravidar. Conforme passassem os anos suas chances diminuiriam cada vez mais.
Nós tinhamos certeza de que nunca teríamos um filho assim tão fácil (mesmo assim nunca nos descuidávamos), pra mim um dia, teríamos que adotar, caso quiséssemos ser pais.

Até que o destino, contraditório e completamente louco, quis, que mesmo que fosse cedo, mesmo que fosse dificil, a gente tería o Léo.

E às pessoas que me julgam e que me olham de soslaio quando atravesso a rua com meu filho, seja lá o que elas pensam, por mais que a minha vontade seja de mandar ir tomar no cu, à elas, todo o meu sorriso!