segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Esse ano você vai aprender muitas coisas sozinha mesmo, como eu acabei fazendo durante o meu terceiro.
Se fosse hoje eu teria feito muuuita coisa diferente do que fiz, teria dado menos importãncia pro grêmio sabe?!
Ainda bem que o mundo é beeem maior que isso tudo! Pena que eu fui só perceber quando estava em casa com meu filho nos braços, lembrando de quando eu tinha (não tinha nada) que esconder de todo mundo aquilo, por questões de ética, feminismo e teimosia mesmo.

Eu devia ter aproveitado mais as amizades que eu tinha ou poderia ter feito, devia ter me preocupado menos com o que os outros pensam, porque afinal eu tinha medo de alguém me julgar por algo que no fim das contas, hoje é o meu maior orgulho.

Qualquer dia eu vou lá visitar você no seu terceiro! Mas vou acompanhada!

Eu ia dizer que nem sei porque estou dizendo tudo isso pra você, mas na verdade, sei sim. É porque você é importante pra mim!

Beiijos, muitas, muitas saudades!

PS: Ah, eu não sabia de nada naquela época.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ferme la bouche

Parece que tudo o que ela faz é com ódio e violência. Fala com seu filho como se ele fosse seu criado ou seu cachorro, trata a louça, a toalha, a mesa, a casa, a vida como se fossem seu maior desgosto ou uma comida estragada.
Trata tudo como se estivesse no meio de uma briga. Violenta seus artigos pessoais e seu filho com sua boca mal lavada e seu tom de voz esgarçado, alto e nada apropriado para uma mãe, uma mulher, um ser humano.
Ninguém tem direito a nada a não ser que ela aprove, ninguém tem direito nem a dormir e a descansar caso ela não aprove, ninguém tem direito a falar, a contradizer, a se defender, a ser.
Ela é como uma ditadora do seu mundinho e por isso, a vidência do julgamento e da palavra diz que o que seu filho mais deseja é a maioridade e por conseguinte, a liberdade.

Ela grita: "Fala baixo!" e ainda tem certeza de que merece ser respeitada, ela xinga e desobedece qualquer lei ética, moral e o principal, desobedece o amor, a paz e a tranquilidade que qualquer ser humano tem o direito de possuir dentro do seu lar.
Ela louva e vai a igreja todos os domingos, ela pede pra Deus lhe dar paz e colocar juízo na cabeça de seu marido e de seu filho, ela pede e chora pra vida melhorar. Mas Deus ainda não disse pra ela, que a vida só melhora quando ela parar de reclamar.

Se raciocinar não faz mais sentido pra você, ao menos cale a boca.


Em homenagem a minha nova vizinha. Que tem a família ideal, teve a gravidez ideal, o casamento ideal, a religião ideal, a vida ideal. E ainda deve achar que ser como eu, é um absurdo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Todo o meu sorriso

Ele está aqui do meu lado - nessa noite de temperatura perfeita - completamente esparramado, deitou no sofá e abraçado com um coelhinho dormiu. Sozinho. Ultimamente ele não está mais gostando de dormir no meu colo, sempre achei meu colo pequeno mesmo, só não sabia que ele iria achar desconfortável pra tirar uma soneca, assim tão cedo.

O que mais dói, é quando alguém pergunta: Nossa, como aconteceu? Como se tivesse sido uma falha na qual as consequências são terríveis, como se tivesse sido uma bomba que eu cortei o fio errado, como se tivesse sido um muro, uma barreira, um obstáculo que eu construí no meio do meu caminho. Posso garantir aos intrometidos, voyers, juízes de mundinhos particulares e qualquer outra pessoa que um dia, ou mesmo por um segundo imaginou que tinha o direito de opinar sobre minha vida e minhas escolhas: Eu sou muito mais feliz que você, porque não há dinheiro, presente ou experiência que se compare com a de ter um filho, espero que um dia você possa ser tão feliz quanto eu, espero que um dia você possa ter um filho, porque eu tive agora, mas tinha grandes chances de nunca ter tido.

Meu marido tinha 17 anos quando teve a primeira crise dele, não corria nenhum risco de morte mas passou a correr o risco de talvez nunca poder gerar uma vida, aos 19 foi sua segunda crise mas, com melhores orientações e competência dos médicos ele soube suas reais chances de um dia - que em nossa cabeça seria após 8 anos no mínimo - poder me engravidar. Conforme passassem os anos suas chances diminuiriam cada vez mais.
Nós tinhamos certeza de que nunca teríamos um filho assim tão fácil (mesmo assim nunca nos descuidávamos), pra mim um dia, teríamos que adotar, caso quiséssemos ser pais.

Até que o destino, contraditório e completamente louco, quis, que mesmo que fosse cedo, mesmo que fosse dificil, a gente tería o Léo.

E às pessoas que me julgam e que me olham de soslaio quando atravesso a rua com meu filho, seja lá o que elas pensam, por mais que a minha vontade seja de mandar ir tomar no cu, à elas, todo o meu sorriso!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eu sou o personagem

Nunca tinha cometido erros, nunca tinha sido o assunto da semana, nunca tinha sido humana.
E quando soubessem que eu escorreguei, se me julgariam? Não só isso, esqueceriam todas as coisas que eu já havia feito, esqueceriam da minha nota vermelha ou da vez que desafiei a direção, esqueceriam da minha presidência e da minha competência, esqueceriam da minha bondade e educação, esqueceriam do meu rosto!
E na minha mente a única coisa que era filtrada diante de uma pesquisa de campo sobre gravidez na adolescência que os alunos de enfermagem estavam promovendo era: eu sou o personagem, ainda sem rosto e sem passado, somente com uma história comum à lá Paulo Coelho, personagem a qual, as pessoas não lembrarão pelo todo, mas pelo fato.
Foi aí então que decidi me calar.
Ninguém saberia, até eu concluir uma etapa da minha vida, ninguém saberia.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Negativo

Eu tive medo, foi a minha primeira reação contemplada com uma espécie de conforto e confiança. Eu tinha certeza de que era impossível minha mãe estar correta, fiz de tudo, sempre, para evitar que isso acontecesse algum dia.
Mas daí que depois de um teste de farmácia ridículo, fiquei tranquila. Negativo.
O bom é que vocês não conhecem minha mãe, se existe uma pessoa persistente, perfeccionista, insistente é ela.
Fomos num laboratório. Aliás, eu estava tão cega de certeza que os dois meses sem menstruação era por causa da pílula do dia seguinte que eu tinha tomado. Tirei sangue, fiquei esperando lá fora com a perna bamba, afinal, a certeza era plena, até eu entrar naquele lugar frio que enfiam uma agulha na sua veia.

Demorou. Vinte minutos pareciam vinte anos, e acredite, muita gente daria o braço pra que isso acontecesse somente daqui vinte anos.
Quando peguei o exame não quis abrir ali, tive que sair do consultório. Não iria conseguir ter alguma reação com aquelas meninas de branco e batom cor de rosa sorrindo quando eu menos queria isso.

Sai até a rua com a minha mãe e chorei, pensei no que eu faria a partir de agora, pensei na reação do Rogerio, pensei na reação dos meus amigos que ao invés de falsos moralistas eram falsos idealistas ou falsos imorais, pensei em como seria, pensei que as pessoas me odiariam. Chorei.

Positivo.

Apresentação

Aconteceram muitas coisas na minha vida que mudaram ela completamente. Trinta minutos mudaram trinta anos.
Não se sabe ainda qual caminho seria melhor, mas dane-se, uma coisa eu garanto, por enquanto essa minha vida que mudou de rumo de uma hora pra outra está muito bonita, obrigada.
E é claro que com tantas mudanças que você irá entender em breve, o objetivo do blog jamais poderia continuar o mesmo, já que adiamos planos, adiantamos outros e na boa, o que eu quero mesmo aqui é desabafar.

Não se divirta, apenas entenda.