O que mais dói, é quando alguém pergunta: Nossa, como aconteceu? Como se tivesse sido uma falha na qual as consequências são terríveis, como se tivesse sido uma bomba que eu cortei o fio errado, como se tivesse sido um muro, uma barreira, um obstáculo que eu construí no meio do meu caminho. Posso garantir aos intrometidos, voyers, juízes de mundinhos particulares e qualquer outra pessoa que um dia, ou mesmo por um segundo imaginou que tinha o direito de opinar sobre minha vida e minhas escolhas: Eu sou muito mais feliz que você, porque não há dinheiro, presente ou experiência que se compare com a de ter um filho, espero que um dia você possa ser tão feliz quanto eu, espero que um dia você possa ter um filho, porque eu tive agora, mas tinha grandes chances de nunca ter tido.
Meu marido tinha 17 anos quando teve a primeira crise dele, não corria nenhum risco de morte mas passou a correr o risco de talvez nunca poder gerar uma vida, aos 19 foi sua segunda crise mas, com melhores orientações e competência dos médicos ele soube suas reais chances de um dia - que em nossa cabeça seria após 8 anos no mínimo - poder me engravidar. Conforme passassem os anos suas chances diminuiriam cada vez mais.
Nós tinhamos certeza de que nunca teríamos um filho assim tão fácil (mesmo assim nunca nos descuidávamos), pra mim um dia, teríamos que adotar, caso quiséssemos ser pais.
Até que o destino, contraditório e completamente louco, quis, que mesmo que fosse cedo, mesmo que fosse dificil, a gente tería o Léo.
E às pessoas que me julgam e que me olham de soslaio quando atravesso a rua com meu filho, seja lá o que elas pensam, por mais que a minha vontade seja de mandar ir tomar no cu, à elas, todo o meu sorriso!
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