terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eu sou o personagem

Nunca tinha cometido erros, nunca tinha sido o assunto da semana, nunca tinha sido humana.
E quando soubessem que eu escorreguei, se me julgariam? Não só isso, esqueceriam todas as coisas que eu já havia feito, esqueceriam da minha nota vermelha ou da vez que desafiei a direção, esqueceriam da minha presidência e da minha competência, esqueceriam da minha bondade e educação, esqueceriam do meu rosto!
E na minha mente a única coisa que era filtrada diante de uma pesquisa de campo sobre gravidez na adolescência que os alunos de enfermagem estavam promovendo era: eu sou o personagem, ainda sem rosto e sem passado, somente com uma história comum à lá Paulo Coelho, personagem a qual, as pessoas não lembrarão pelo todo, mas pelo fato.
Foi aí então que decidi me calar.
Ninguém saberia, até eu concluir uma etapa da minha vida, ninguém saberia.

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